A empresa brasileira de tecnologia educacional Gran anunciou uma ampliação significativa em seus investimentos. Após destinar R$ 170 milhões nos últimos dois anos para melhorias em tecnologia, produtos e design, a companhia planeja investir mais R$ 114 milhões até 2026.
Esse movimento é considerado inusitado dentro do setor educacional, que normalmente opera com margens reduzidas, e representa um passo importante na consolidação de uma filosofia iniciada em 2018: a utilização da inteligência artificial (IA) como parte central de sua estratégia, ao invés de um mero complemento.
Taxas mais acessíveis
A Gran decidiu absorver os custos elevados associados ao processamento das novas tecnologias, evitando transferir esse ônus para os consumidores. Caso fossem contratadas separadamente, as ferramentas de IA disponíveis na plataforma teriam um custo estimado de R$ 115 mensais para o estudante. “Nosso objetivo é transformar a forma como o aprendizado é desenvolvido e consumido, eliminando desperdícios para o aluno”, afirma Rodrigo Calado, vice-presidente e cofundador da empresa.
Ao contrário de soluções de IA comuns, o sistema do Gran opera em um ambiente controlado. A empresa utiliza seu datalake exclusivo — que contém 13 anos de conteúdo, incluindo 240 mil videoaulas e 40 mil livros digitais — para aprimorar o contexto dos modelos de linguagem usados.
O processo é supervisionado por especialistas em IA e validado pelos professores da instituição. Essa estrutura assegura que as respostas geradas estejam rigorosamente alinhadas aos editais dos concursos públicos, minimizando as “alucinações” (erros factuais gerados pela IA) a níveis quase inexistentes.
Os dados internos da edtech respaldam esse investimento significativo. Segundo a empresa, alunos que utilizam as ferramentas baseadas em IA demonstram um engajamento 34% maior. A relação entre usuários ativos diários e mensais (DAU/MAU) aumenta de 23% para 31% com a adoção dessa tecnologia.
No ano de 2025, a administração eficiente da infraestrutura resultou em uma economia de R$ 5 milhões. A expectativa é que a centralização das funções — como resumos automáticos, criação de mapas mentais e elaboração de exercícios — contribua para a redução da taxa de churn (cancelamento), atenuando a “fricção cognitiva” enfrentada pelos alunos quando precisam navegar entre várias abas e ferramentas externas.
Maturidade técnica e reconhecimento
Atualmente, a operação técnica do Gran alcança uma média impressionante de 130 implantações por semana, com um tempo médio de implementação de apenas 15 dias, garantindo que a plataforma esteja sempre em desenvolvimento contínuo. Esse alto nível de maturidade levou o Google a reconhecer a edtech como uma referência no setor educacional brasileiro após uma avaliação detalhada sobre dados e IA.
Gabriel Granjeiro, CEO do Gran, acredita que esse investimento representa uma transformação significativa no setor educacional. “A tecnologia deixará de ser apenas um diferencial ocasional e se tornará um critério essencial para competitividade. O futuro está na eficiência das plataformas”, conclui.
