Santos ganha Maker Space: um espaço inovador para transformar ideias em realidade

Diálogos informais, experiências que falharam antes de serem bem-sucedidas ou uma perspectiva única que você não teria considerado por conta própria são exemplos de como o aprendizado pode se manifestar.

Essas situações fazem parte do processo educativo.

Foto: Gustavo Nascimento

Estudos já indicam há algum tempo que muitas ideias criativas e projetos que envolvem múltiplas disciplinas frequentemente emergem em conversas casuais, em ambientes colaborativos que estimulam a criatividade e o aprendizado em grupo.

Espaço Maker

Um espaço maker, na prática, é um local dedicado à experimentação e ao aprendizado prático. É onde conceitos teóricos se transformam em protótipos e soluções concretas, utilizando desde ferramentas convencionais até tecnologias avançadas, como impressão 3D, corte a laser e softwares de design. O funcionamento desses espaços é baseado na colaboração, permitindo que pessoas de diferentes áreas unam esforços para testar ideias, desenvolver projetos e solucionar problemas.

Quando as universidades começaram a implantar laboratórios makers, a intenção era positiva. Com impressoras 3D, cortadoras a laser e mesas para prototipagem disponíveis, o desafio frequentemente encontrado era a falta de organização sobre as atividades realizadas nesses locais.

No Brasil, esses ambientes têm sido predominantemente criados com objetivos educacionais, negligenciando as reais oportunidades de integração entre a universidade e a sociedade. Em muitos casos, eles se tornaram meras vitrines — salas equipadas com tecnologia nova que os alunos não sabiam como utilizar adequadamente e sem conexão com desafios reais fora da academia.

Experiência de Aprendizado

Durante o período do ensino remoto, ficou claro o que antes passava despercebido. Os estudantes expressaram saudade das experiências proporcionadas pelos espaços comuns da universidade, locais que combinavam formação profissional com vivências sociais.

Não era necessariamente a falta das aulas que os incomodava; sentiam falta do ambiente.

A experiência em espaços de convivência é fundamental para o bem-estar emocional e social dos indivíduos, contribuindo para o desenvolvimento de um senso de pertencimento e para o fortalecimento das relações além das limitações das salas de aula.

No campus em Santos, essa ideia se concretizou

O Ânima Lab, localizado no Centro Universitário São Judas – Campus Unimonte, foi idealizado para transformar um espaço pouco utilizado em um ambiente onde diversos cursos pudessem colaborar em problemas reais. A professora Maria Paula é uma das responsáveis por essa iniciativa.

“É uma folha em branco cercada por várias canetas e tintas coloridas”, resume ela.

O laboratório conta com impressoras 3D, cortadoras a laser, áreas de coworking e salas para metodologias ativas. Contudo, seu diferencial vai além dos equipamentos; está na interação entre áreas que normalmente não colaborariam.

Por exemplo, alunos de medicina veterinária perceberam que a altura dos comedouros poderia prejudicar a coluna dos animais. Eles trouxeram essa questão ao Ânima Lab e se uniram a estudantes de design para desenvolver um suporte ajustável. O projeto foi testado e adaptado até ganhar forma concreta.

Outra iniciativa envolveu criar uma cadeira para ajudar na transferência de pacientes acamados para uma posição vertical. Nesse caso, alunos da enfermagem contribuíram com os protocolos de cuidado; os da fisioterapia trouxeram conhecimentos sobre biomecânica; enquanto engenharia cuidou da estrutura e design focou na usabilidade. Segundo Maria Paula, o resultado chegou a um nível adequado para comercialização — tudo isso dentro do contexto acadêmico.

A participação da comunidade amplia as possibilidades do laboratório

O Ânima Lab também abriga oficinas voltadas à comunidade através do projeto de extensão interdisciplinar da São Judas – Campus Unimonte destinado ao público idoso. As atividades incluem discussões sobre nutrição, cuidados com a pele, imposto de renda e segurança digital, promovendo a interação entre estudantes de diversas áreas e enriquecendo o intercâmbio entre gerações.

Em uma dessas oficinas, os participantes tiveram a oportunidade de personalizar ecobags utilizando stêncil cortado a laser. A mesma máquina destinada à produção industrial foi adaptada para facilitar o uso por pessoas com habilidades motoras limitadas.

Além disso, o espaço tornou-se um ponto focal para enfrentar desafios locais. Recentemente, a Ecofábrica trouxe materiais destinados ao descarte e propôs um questionamento: o que poderia ser feito com esses itens? Em apenas uma semana, os alunos pesquisaram soluções criativas e apresentaram protótipos para novas lixeiras públicas em Santos.

Até mesmo o protótipo da Lagoa da Saudade passou pelo laboratório. Alunos do curso de design elaboraram uma maquete aprovada pela Prefeitura para instalação no espaço público.

A convivência é parte essencial do aprendizado universitário

Além dos equipamentos disponíveis e dos projetos desenvolvidos no Ânima Lab, fica evidente que aprender também ocorre fora dos métodos tradicionais. Muitas vezes são nas trocas informais ou nos projetos que inicialmente falham antes de darem certo que surgem as ideias mais inovadoras.

Nesse sentido, o laboratório aproxima universidade e comunidade na prática real, conectando diferentes cursos universitários com diversas gerações e perspectivas. Por isso mesmo, esse espaço transcende sua função como mera sala equipada com tecnologia; transforma-se em um ambiente onde colaboração, convivência e criatividade coexistem harmoniosamente.

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By Santos Diário

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