Com a chegada da Copa do Mundo de 2026, o interesse dos brasileiros em obter vistos para os Estados Unidos tem aumentado consideravelmente. Esse fenômeno se deve ao crescimento das viagens internacionais e à vontade de muitos de acompanhar o torneio pessoalmente. Dados do National Travel and Tourism Office (NTTO) mostram que, em 2024, os EUA receberam 1,9 milhão de turistas brasileiros, consolidando o Brasil como um dos principais emissores de visitantes para o país.
Em resposta à expectativa de um aumento na demanda por vistos, o governo dos Estados Unidos implementou medidas para facilitar o agendamento de entrevistas para aqueles que desejam assistir ao evento esportivo. Contudo, o processo de obtenção do visto ainda é envolto em incertezas e desinformações, o que pode prejudicar as chances dos solicitantes que não compreendem os critérios avaliativos.
A abordagem adotada pelas autoridades consulares é mais clara do que muitos acreditam. A avaliação foca principalmente na intenção de viagem e na habilidade do candidato em demonstrar que retornará ao Brasil após a visita.
A advogada Dra. Ingrid Domingues-McConville, com uma carreira de mais de 30 anos nos Estados Unidos e especializada em imigração familiar e empresarial, afirma que a análise consular vai além do que se imagina. “A decisão não se baseia em um único aspecto, mas sim na totalidade da vida da pessoa. O agente consular busca entender se o candidato possui vínculos reais com seu país de origem”, explica.
Na sequência, Dra. Ingrid apresenta algumas das principais verdades e mitos sobre o processo de solicitação do visto. Confira!
1. Existe um perfil ideal para conseguir o visto
Mito. Há a crença popular de que existe um tipo específico de candidato ideal, mas isso não condiz com a realidade. “Não há um modelo perfeito. O consulado busca compreender se a pessoa tem razões concretas para retornar ao Brasil após a viagem”, esclarece.
2. Ter dinheiro na conta garante a aprovação
Mito. Embora seja comum pensar que um saldo bancário elevado é suficiente para garantir a aprovação do visto, essa é apenas uma parte da análise. “A condição financeira pode auxiliar na demonstração da capacidade de custear a viagem, mas não assegura que a pessoa retornará ao seu país. É mais importante ter estabilidade do que apenas dinheiro na conta”, destaca a especialista.
3. Estar empregado faz diferença na análise
Verdade. Ter um emprego estável é um fator relevante durante a avaliação. “Um vínculo profissional sólido ou ter um negócio próprio são indicativos de que o solicitante possui laços firmes com o Brasil e isso pesa bastante na decisão”, ressalta.
4. Ter familiares nos Estados Unidos pode atrapalhar
Verdade. Essa situação pode gerar questionamentos durante a entrevista sobre as intenções da viagem. “Não impede a aprovação, mas requer respostas claras e coerentes durante a conversa”, aponta Dra. Ingrid Domingues-McConville.
5. Já ter tido um visto negado impede novas aprovações
Mito. Uma negativa anterior não significa necessariamente o fim das possibilidades. “Embora fique registrada, essa negativa não barrará uma nova solicitação desde que as sítuações do solicitante tenham mudado significativamente desde então”, elucida.
6. Falar inglês é essencial para conseguir o visto
Mito. Embora saber inglês seja importante, não é determinante em todos os casos. “Nas entrevistas para vistos turísticos, é possível falar em português e isso não será um fator decisivo; porém, em vistos de trabalho, dominar o inglês pode ser mais relevante”, explica.
7. Ter histórico de viagens internacionais aumenta as chances
Verdade. Ter experiências anteriores em viagens internacionais pode ser benéfico durante a análise do pedido. “Isso demonstra um padrão positivo com retorno ao país natal; no entanto, não é uma exigência obrigatória, pois os vínculos com o Brasil continuam sendo primordiais”, afirma a especialista.
8. Levar documentos é fundamental para aprovação
Mito. Muitos acreditam que apresentar uma série extensa de documentos garante automaticamente a concessão do visto; entretanto, nem sempre funciona assim. “Na maioria das situações, os documentos são pouco analisados; geralmente, a decisão se baseia nas respostas dadas durante a entrevista e só são solicitados se surgirem dúvidas”, observa.
9. Respostas ensaiadas ajudam na entrevista
Mito. strong>No entanto, essa prática pode ser prejudicial na hora da entrevista. “Respostas decoradas ou vagas podem causar problemas; é melhor ser claro e consistente ao explicar sua rotina e objetivos da viagem”, orienta Dra. Ingrid.
10. O que realmente pesa é o conjunto da história
Verdade. Por fim, o critério mais importante reside na coerência geral das informações apresentadas pelo solicitante .“O agente avalia estabilidade profissional , renda compatível , histórico geral , além da coerência das informações fornecidas . Um registro migratório limpo , sem fraudes ou permanências irregulares , também é fundamental “, enfatiza . p >
A expert ressalta que apesar da agilidade no processo , as avaliações são rigorosas e baseadas na percepção de credibilidade do postulante . “No final das contas , tudo se resume à pergunta: esta pessoa parece alguém que vai viajar strong >e retornar ? ” , conclui Dra . Ingrid Domingues – McConville . p >
A obtenção do visto vai além de seguir uma lista de requisitos; trata-se sobretudo de consistência , transparência e demonstrar laços reais com seu país natal . p >
Pela equipe editorial
A publicação sobre “Copa do Mundo 2026: 10 mitos e verdades sobre vistos para os EUA” foi realizada por meio deste canal informativo.
