Seis orientações essenciais para quem deseja financiar a graduação em Medicina

Para muitos estudantes brasileiros, a entrada em uma faculdade de Medicina representa um anseio profundo, mas concretizar esse objetivo requer um planejamento que vai além da preparação para os exames vestibulares. Dada a duração de seis anos do curso e a intensidade dos estudos exigidos, definir antecipadamente como será o pagamento da graduação pode ser crucial para proporcionar maior tranquilidade ao longo da formação.

Aqueles que não têm acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ou que buscam outras alternativas para financiar a graduação encontram diversas opções no setor privado, com formatos variados, prazos de pagamento e critérios diferentes. As alternativas incluem o parcelamento de mensalidades ou semestres específicos até linhas de crédito que possibilitam o financiamento integral da graduação, com prazos amplos para quitação.

Kátia Pinto, diretora do grupo Afya, que conta com 32 faculdades de Medicina no Brasil, destaca que compreender o financiamento como parte de um planejamento a longo prazo é essencial. “Dada a extensão da formação em Medicina, a escolha sobre como financiar o curso deve levar em conta não apenas o valor da parcela atual que se encaixa no orçamento, mas também todo o tempo da graduação e o período necessário para quitar a dívida. É fundamental entender as condições de cada opção, comparar diferentes cenários e envolver a família nessa decisão”, afirma.

A seguir, Kátia Pinto compartilha seis dicas valiosas para aqueles que se preparam para ingressar no curso de Medicina e avaliam suas opções de financiamento.

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1. Informe-se sobre todas as opções disponíveis

Atualmente, diversas instituições financeiras, cooperativas de crédito e empresas especializadas oferecem modelos voltados para o ensino superior, incluindo cursos de Medicina. Algumas alternativas permitem financiar toda a graduação com prazos que podem chegar até 20 anos, como é o caso do CASHME ou ALUME. Outras opções como EMCASH e Pravaler possibilitam financiamentos em até 12 anos com processos 100% digitais e aceitam até dois fiadores na composição da renda.

Além disso, cooperativas de crédito apresentam propostas específicas com taxas de juros reduzidas, como o Faça Acontecer do Sicoob. Para quem prefere uma alternativa regionalizada, o Bradesco oferece financiamento por meio das suas agências com prazos de até 12 anos.

É aconselhável pesquisar quais são as opções disponíveis na instituição escolhida, pois as condições podem variar conforme a faculdade e a unidade específica.

2. Avalie o custo total em vez do valor da parcela isoladamente

Muitas vezes uma parcela mais baixa pode parecer atraente à primeira vista; contudo, essa não deve ser a única referência na hora da decisão. É imprescindível considerar aspectos como taxa de juros, duração total do contrato, formas de reajuste e tarifas adicionais que impactam no valor final pago.

“Antes de fechar um contrato, é recomendado que o estudante simule diferentes cenários financeiros e compreenda como aquele financiamento afetará seu orçamento familiar ao longo dos anos. Cada aspecto — prazo, juros e condições — deve ser analisado conjuntamente”, sugere Kátia Pinto.

As condições variam conforme a modalidade escolhida: existem opções com prazos mais curtos renováveis semestralmente e outras que permitem financiar períodos mais extensos com pagamentos diluídos por vários anos. Portanto, é essencial comparar não apenas os valores das parcelas individuais, mas também as taxas de juros e o custo total do financiamento.

3. Compreenda as garantias exigidas

As exigências para aprovação do financiamento podem diferir entre as modalidades disponíveis. Algumas linhas requerem um ou mais fiadores e estabelecem critérios relacionados à renda mínima dos mesmos. Em contrapartida, há opções onde é possível contratar o financiamento utilizando imóvel como garantia, resultando em prazos maiores e melhores condições creditícias.

No caso do Pravaler, é permitido ter até dois fiadores e incluir a própria renda do estudante na proposta sem necessidade de garantir um imóvel. Por outro lado, o Faça Acontecer do Sicoob não exige comprovação de renda nem garantia imobiliária dos alunos; no entanto, requer um avalista. A CashMe oferece crédito mediante garantia imobiliária com prazos que podem atingir 240 meses. Já a Alume disponibiliza modalidades tanto com quanto sem imóvel em garantia.

É recomendável reunir a família antes de iniciar qualquer proposta para entender quem pode contribuir na contratação — seja pela composição da renda ou atuando como fiador ou oferecendo garantias.

4. Reflita se realmente precisa financiar todo o curso

Não é necessário que todos os estudantes contratem um financiamento para cobrir os seis anos completos da graduação. Dependendo das condições financeiras familiares, pode ser mais viável financiar apenas parte das mensalidades ou um semestre específico durante a formação.

Certa modalidades permitem financiar até 100% do semestre com pagamento distribuído ao longo de 12 meses e renovação ao final desse período. Outras alternativas podem ser contratadas conforme avança o semestre letivo atual. “A organização financeira deve refletir a realidade financeira familiar atual. O aluno deve ponderar se realmente necessita financiar toda a graduação ou apenas uma fração dela”, explica Kátia Pinto.

5. Pesquise programas regionais disponíveis

A localização da instituição escolhida pode impactar nas opções de financiamento acessíveis ao estudante. O Banco do Nordeste oferece especificamente o FNE P-Fies para alunos matriculados em instituições conveniadas dentro da zona geográfica atendida pelo banco.

Nesta modalidade específica é possível financiar integralmente as mensalidades; os pagamentos começam durante o período financiado podendo se estender por até três vezes mais tempo após a conclusão dos estudos do aluno conforme as diretrizes estabelecidas pelo programa.

Dessa forma, além das alternativas nacionais existentes é crucial investigar linhas regionais de crédito e programas disponíveis no estado ou município onde se pretende cursar a graduação.

6. Simule antes de finalizar sua decisão

A recomendação antes de assinar qualquer contrato é colocar todas as possibilidades no papel. Realizar simulações envolvendo diferentes valores iniciais, percentuais financiados e prazos ajuda na visualização dos impactos financeiros dessa escolha ao longo dos anos.

Também é importante levar em conta outros custos associados à formação acadêmica como moradia, alimentação, transporte e materiais necessários para os estudos. Em certas situações pode haver necessidade de mudança para outra cidade; esse fator deve ser considerado no planejamento financeiro desde o início.

“O financiamento pode se tornar uma ferramenta valiosa para facilitar o acesso à educação superior desde que contratado com informação suficiente e planejamento adequado. Quanto mais claros forem os termos do crédito e as condições orçamentárias familiares para os estudantes e seus familiares , mais sólida será essa decisão”, conclui Kátia Pinto.

Por Julia Costa e Costa

A publicação “6 dicas para quem pretende financiar o curso de Medicina” foi veiculada pela primeira vez na Catraca Livre.

By Santos Diário

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