O domínio entre os citas não se restringia apenas à destreza em batalhas ou ao controle de cavalos e terras. Uma pesquisa abrangente sobre DNA antigo demonstrou que famílias aristocráticas, compostas por homens e mulheres, mantinham sua posição social ao longo de gerações e lideravam grupos nômades na estepe eurasiática há aproximadamente 2.500 anos.
Descobertas reveladas pelo DNA dos citas
Um estudo publicado em julho de 2026 na revista Science Advances investigou o material genético de 85 indivíduos da Idade do Ferro, coletados em 20 diferentes sítios arqueológicos. A amostra incluiu 38 pessoas sepultadas como parte da elite e 47 que foram enterradas em tumbas menores, com poucos itens valiosos.
A análise revelou que as pessoas pertencentes à elite tinham uma probabilidade 11 vezes maior de terem laços familiares entre si em comparação com aqueles considerados comuns. Para os cientistas, essa evidência sugere que o poder político e o status elevado eram sustentados por dinastias extensas, abrangendo até mesmo cemitérios distantes.
Métodos de identificação das famílias pelos pesquisadores
A equipe de pesquisadores fez comparações entre os genomas obtidos de esqueletos datados entre 900 e 200 a.C., identificando laços familiares próximos em diferentes tumbas. A presença de membros da mesma família enterrados em locais distintos indica que as redes de poder iam além de uma única comunidade, conectando várias áreas da estepe.
Dentre os laços genéticos encontrados no estudo, destacam-se:
- Dois pares de irmãos biológicos;
- Um irmão e uma irmã pertencentes à elite;
- Um pai e seu filho;
- Dois pares compostos por avós e netos;
- Parentes sepultados em cemitérios distintos.
A presença feminina nas estruturas de poder
Cerca de metade dos indivíduos reconhecidos como parte da elite era composta por mulheres. Ayshin Ghalichi, arqueogeneticista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e principal autora do estudo, afirma que essa proporção indica que elas podiam atingir posições sociais significativas na sociedade cita da Idade do Ferro.
A descoberta apoia evidências arqueológicas sobre sepultamentos femininos acompanhados por armas, joias e outros objetos valiosos. Contudo, a análise genética não identificou um sistema exclusivamente baseado na linhagem masculina ou feminina, sugerindo que o poder se distribuía através de estruturas familiares mais complexas.
O enigmático Homem de Ouro
No decorrer do estudo, foram apresentados os primeiros dados genômicos sobre o famoso Homem de Ouro, descoberto em 1969 no Cazaquistão. O jovem, estimado ter cerca de 17 anos, foi enterrado com mais de 4.000 adornos dourados, armas, um elaborado adorno para a cabeça e uma tigela prateada com uma inscrição ainda não traduzida.
A condição dos ossos dificultou a identificação anterior do indivíduo, mas as análises genéticas sugerem que ele provavelmente era masculino. Seu sepultamento luxuoso, mesmo em tenra idade, reforça a hipótese sobre um status hereditário. Outro caso envolveu um bebê de um ano encontrado em uma sepultura da elite ao lado de uma linhagem poderosa.
A nova perspectiva sobre os povos nômades
Historicamente, os citas foram retratados principalmente como guerreiros ferozes e nômades ágeis, conforme descrito por autores gregos e romanos. Agora, a genética revela uma sociedade hierárquica onde relações familiares, riqueza e autoridade se entrelaçavam para manter o poder dentro de determinadas famílias ao longo do tempo.
Esses resultados demandam uma revisão sobre as origens da desigualdade entre povos nômades. Acompanhar as futuras investigações será crucial, pois cada kurgan analisado pode oferecer insights sobre como mulheres, homens e até crianças herdavam privilégios e contribuíam para a sustentação das dinastias que dominaram a antiga Eurásia.
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