Com um ar tímido, Álvaro Borba subiu ao palco do Cine Roxy e surpreendeu a audiência logo de início. Ele pediu alguns minutos para expressar seu amor por Santos antes de abordar o tema que o trouxe àquele evento.
Foto: Unlock Films
Dessa forma, o jornalista e criador do canal Arvro deu início à edição de julho do CreativeMornings Santos no Cine Roxy.
Este encontro repetiu o sucesso de março e, pela segunda vez em 2026, destacou-se como a maior edição do CreativeMornings no mundo.
Catarinense apaixonado pela Fonte do Sapo
A conexão entre Platão, campos mórficos e Naruto foi precedida pela sua experiência na Fonte do Sapo.
Borba revelou que chegou a Santos há aproximadamente um ano atraído por aulas de vela. Ele compartilhou que uma noite marcante alterou sua percepção sobre a cidade.
Enquanto caminhava da Ponta da Praia em direção a São Vicente, ele se deteve na Fonte do Sapo e ficou tocado ao observar pais ensinando seus filhos a andar de bicicleta e a equilibrar-se no skate. Essa cena o emocionou profundamente.
“Aqui existe uma infância como deve ser. Que coisa linda”, relembrou ele sobre aquele momento marcante.
<pNesse contexto, fez uma observação relevante para os recém-chegados: segundo ele, quem se muda para uma nova cidade precisa ter ética para não impor suas ideias sobre aqueles que já residem lá há mais tempo.
A competição sob o olhar de Platão
O tema global deste mês era competição, sugerido pela cidade de Santiago, no Chile.
Borba decidiu abordar essa temática de maneira inovadora e não se prendeu às interpretações convencionais.
Ele baseou sua discussão no conceito do “mundo das ideias” de Platão, que propõe que tudo que existe no mundo material é uma cópia imperfeita de um modelo ideal.
Lembrando que Platão também foi lutador, Borba destacou que esse filósofo aplicava suas teorias ao esporte.
Dessa forma, dois competidores em uma luta estariam colaborando inconscientemente para alcançar uma performance ideal que reside somente no plano das ideias.
Ainda fundamentando seu raciocínio com evidências científicas, ele relembrou o feito histórico de Roger Bannister em 1954, quando completou uma milha em menos de quatro minutos — um feito considerado impossível até então. Logo após, outros corredores conseguiram atingir essa marca. Para Borba, isso não foi apenas motivação; Bannister teria criado uma ponte entre o mundo material e as ideias, permitindo que outros alcançassem essa performance extraordinária.
Cultura como aplicativo e os campos mórficos
A palestra ganhou contornos quase futuristas quando Borba introduziu a teoria dos campos mórficos, proposta pelo biólogo Rupert Sheldrake. Essa teoria sugere que comunidades isoladas de animais podem aprender comportamentos simultaneamente sem qualquer interação física entre elas. Por exemplo, grupos de macacos começam a quebrar cocos da mesma maneira em diferentes lugares do planeta ao mesmo tempo.
Embora tenha admitido não saber se os campos mórficos realmente existem, Borba apresentou uma analogia mais acessível: a cultura atua como um sistema operacional. Cada nova expressão cultural, desde o chorinho até o funk contemporâneo, pode ser vista como um aplicativo que necessita da atualização do sistema para ser aceito.
Nesse ponto, ele compartilhou uma experiência pessoal durante seu trabalho na gestão das mídias sociais da Prefeitura de Curitiba. Em 2013, diante da baixa adesão a uma campanha de vacinação infantil, ele publicou uma notícia bem-humorada afirmando que a Galinha Pintadinha tinha sido banida das creches. O post rapidamente se tornou viral e até mesmo a própria marca interagiu nas redes sociais.
“Ali percebemos a colaboração subjacente”, sintetizou ele ao explicar que tanto a prefeitura quanto a marca competiam pela atenção do mesmo público, mas uniram forças para beneficiar as crianças.
Cine Roxy: mais que um novo endereço
Mudar do Juicyhub para o Cine Roxy significou muito mais do que apenas trocar de local.
A sala de cinema foi inaugurada em 15 de março de 1934 com a exibição de Cântico dos Cânticos, estrelado por Marlene Dietrich. Hoje, é considerado o segundo cinema mais antigo ainda em funcionamento no Brasil, perdendo apenas para o Cine Olympia em Belém.
Foto: Unlock Films
Sob a gestão do empresário Toninho Campos, a rede celebrou 92 anos em 2026 e ampliou suas atividades para São Vicente e Cubatão.
A unidade cubatense recebe anualmente cerca de 750 mil visitantes. Além das exibições regulares, o cinema oferece sessões inclusivas como a chamada sessão azul, destinada ao público autista.
Público presente no evento
Dentre os presentes estava Lyane Frasson, engenheira química aos 35 anos, que se mudou para Santos vinda do Vale do Ribeira. Ela levou consigo um exemplar do livro de Borba na esperança de conseguir um autógrafo.
Sobre o evento em si, ela resumiu:
“Foi objetivo e muito interessante por ser gratuito e aberto ao público”.
Mateus Puime, santista com 21 anos cursando Marketing, também compareceu principalmente para acompanhar o trabalho do youtuber. Ao final saiu satisfeito com algo além disso:
“Foi incrível perceber quão vibrante é o cenário criativo em Santos. Sempre me surpreendo com quantos talentos estamos exportando da nossa Baixada”, comentou.
No tocante ao tema discutido naquela manhã, ele sintetizou assim:
“A competição é saudável não só no meio criativo como em diversos setores”.
A organização dos encontros
Desde fevereiro de 2024, o CreativeMornings Santos tem ocorrido mensalmente sem interrupções — uma sequência ressaltada logo na abertura pela CEO do Juicyhub, Ludmilla Rossi.
A edição deste mês contou com apoio da São Judas Campus Unimonte, SB7 Som & Luz, Prefeitura Municipal de Santos, Feito em Santos e Cursino & Teodoro da Silva Advogados além do próprio Cine Roxy.
Com passagens pelo auditório do Juicyhub e pela Concha Acústica com Gabriel Weimer e pelo auditório da São Judas com Netão Bom Beef anteriormente realizadas, agora somam-se à lista os eventos realizados no Cine Roxy — sede da maior comunidade criativa presencial globalmente reconhecida.
