Você já decidiu em qual deputado federal pretende votar? É provável que a maior parte dos eleitores da Baixada Santista não tenha uma resposta clara.
Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Badra entrevistou 10.020 eleitores nos nove municípios da região entre os dias 27 de maio e 2 de junho. O estudo, registrado no TSE com uma margem de erro de três pontos percentuais, indicou que Paulo Alexandre Barbosa (PSD) é o favorito, com 24,5% na pesquisa estimulada. Em seguida, Rosana Valle (PL) aparece com 18,5%, enquanto o Delegado Da Cunha (União Brasil) ocupa a terceira posição com 12,8%.
<pEntretanto, na pesquisa espontânea, Paulo Alexandre e Rosana Valle empatam com apenas 0,8% cada um, e impressionantes 55,8% dos participantes não conseguem mencionar um único candidato.
A disparidade entre os resultados das duas pesquisas pode ser explicada pela forma como os eleitores da Baixada Santista reconhecem os candidatos quando têm uma lista à frente. No entanto, sem essa referência, a figura do deputado federal se torna quase irrelevante para eles. Essa falta de visibilidade é preocupante, especialmente em um contexto onde o Congresso Nacional tem tomado decisões que impactam diretamente a vida financeira e os direitos dos cidadãos.
O pior Congresso da história?
Essa afirmação não é feita por opositores políticos, mas sim por juristas, economistas e grupos da sociedade civil que têm acompanhado meticulosamente as votações na Câmara dos Deputados nos últimos dois anos.
A proteção dos parlamentares contra investigações, a aprovação de uma anistia para aqueles envolvidos nos eventos de 8 de janeiro e a rejeição a medidas que tributariam grandes fortunas e apostas online são exemplos de decisões que muitos especialistas consideram uma das fases mais críticas do Legislativo federal em décadas.
A renovação da Câmara deixou de ser apenas um conceito abstrato sobre “transformar a política”. Agora se tornou uma questão prática: quem assumirá as 513 cadeiras a partir de 2027 terá o poder de decidir sobre impostos, direitos trabalhistas e até mesmo sobre os limites das investigações envolvendo seus próprios colegas. Na Baixada Santista, esse debate já começa a se concentrar nos nomes mencionados na pesquisa do Badra.
Candidatos em destaque
No cenário completo da pesquisa estimulada, o Delegado Da Cunha (União Brasil) é mencionado em terceiro lugar com 12,8%, seguido por Doutor Caseiro (PT), que obteve 5,4%, Gilmar André (Republicanos) com 4,4%, Jefferson Cezarolli (Podemos) alcançando 2,8%, Marcelo Strama (PSB) com 1,6% e Pai Roblez Jorge (PDT) com apenas 0,6%. Além disso, 15,3% dos entrevistados afirmaram que não apoiariam nenhum dos candidatos listados.
Um fator importante que pode alterar o panorama é a ausência de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli do PL nas eleições de 2026. Esses eleitores estão desprotegidos atualmente e Rosana Valle surge como a candidata mais apta para conquistar esse apoio. Portanto, os atuais 18,5% que ela detém podem subestimar sua verdadeira força nas eleições de outubro.
É fundamental também compreender como funciona o sistema eleitoral brasileiro. O voto para deputado não se destina apenas ao candidato individualmente; é também uma escolha para o partido ao qual pertencem.
No Brasil, o sistema proporcional de lista aberta opera através do quociente eleitoral: ou seja, a quantidade de votos necessária para garantir uma vaga no Legislativo. Quando um partido atinge esse quociente, conquista um assento preenchido pelos candidatos mais votados daquela legenda. Assim sendo, votar em Paulo Alexandre com 100 mil votos apresenta efeitos diferentes do que votar com apenas 50 mil — isso afeta tanto ele quanto seus colegas dentro do partido que dependem da soma total dos votos recebidos pela legenda.
Ações pouco observadas
Os principais candidatos já possuem um histórico de votações que merece análise cuidadosa. A seguir estão algumas das pautas mais relevantes discutidas recentemente.
PL da Devastação
Aprovado em julho de 2025, este projeto flexibilizou várias normas relacionadas à proteção ambiental e foi considerado um retrocesso significativo por ambientalistas.
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
- Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor
PEC da Blindagem
A PEC 3/2021 ampliou os privilégios judiciais concedidos aos parlamentares e presidentes partidários.
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): Contra
- Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor
PL da Anistia
Este projeto busca conceder perdão judicial para aqueles condenados ou sob investigação desde outubro de 2022, incluindo indivíduos ligados aos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
- Rosana Valle (PL): A favor da urgência
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): Contra
- Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor da urgência
PL da Dosimetria
C conhecido como “PL da Soltura”, este projeto estabelece limites para penas em casos onde há concurso de crimes. Críticos argumentam que tal medida pode beneficiar organizações criminosas e traficantes.
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
- Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor
MP do BBB
A Medida Provisória 1303/2025 propunha tributar apostas online além de bancos e grandes fortunas. Sua análise foi rejeitada pela Câmara em outubro passado, resultando em um déficit superior a R$20 bilhões nas finanças públicas.
- Rosana Valle (PL): Pela derrubada
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): Pela derrubada
- Delegado Da Cunha (União Brasil): Pela derrubada
No entanto, Paulo Alexandre justificou seu voto afirmando que o texto original perdeu aspectos cruciais durante sua tramitação legislativa.
Isenção do Imposto de Renda
A Câmara aprovou uma proposta isentando do IR quem ganha até R$5 mil mensais e aplicando descontos progressivos até R$7.350.
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
- Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor
Término da escala 6×1
A proposta reduz gradualmente a jornada semanal prevista na CLT de 44 horas para 40 horas.
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
- Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor
Analisando os votos desses parlamentares fica claro que Paulo Alexandre se distanciou nas questões relacionadas à anistia e privilégios parlamentares enquanto alinha suas opiniões às deles nas áreas ambiental e fiscal.
Eleições ainda indefinidas
No levantamento espontâneo realizado pelo instituto Badra, constatou-se que aproximadamente 31,9% dos entrevistados afirmaram não ter intenção de votar em nenhum candidato para deputado federal. Outros 9,5% demonstraram interesse em anular ou deixar seu voto em branco. Nikolas Ferreira — concorrendo por Minas Gerais — foi mencionado por apenas 0,1%, sugerindo que muitos nem ao menos sabem que só podem votar por candidatos registrados no seu estado.
Tamanho desconhecimento traz consequências diretas: quando o eleitor não toma posse desse espaço através de uma escolha informada ou consciente acaba permitindo que outros decidam por ele. O sistema proporcional assegura que votos dados aos partidos elegem indivíduos pouco conhecidos pelo público geral. Além disso, num momento onde se faz urgente renovar a Câmara dos Deputados com novas vozes e ideias frescas na política brasileira; optar pelo voto nulo ou branco significa abdicar da participação em um debate essencial para todos nós.
A pesquisa revela uma situação onde há lideranças definidas na corrida eleitoral na Baixada Santista; no entanto dois terços do eleitorado ainda estão indecisos quanto ao seu voto. Paulo Alexandre possui uma vantagem real neste momento; Rosana Valle aguarda direcionamento para seu eleitorado órfão; enquanto Da Cunha mantém uma base sólida cujo desempenho pode surpreender dependendo das movimentações políticas até outubro deste ano.
A contagem regressiva já começou: faltam pouco mais de três meses até as eleições; todas as informações sobre históricos eleitorais estão disponíveis — agora cabe ao eleitor fazer sua escolha conscientemente.
