Um jovem discute com um amigo, que, em resposta, grita “moggado.”
Do outro lado, alguém agita os braços e exclama “mais mil de aura.”
Uma moça rejeita um convite para conversar, e a multidão comenta: “não sobrou nada para o betinha.”
Essas expressões já compõem um dialeto característico, amplamente utilizado entre adolescentes em várias partes do Brasil. O termo farmar aura passou a representar a ideia de acumular respeito e admiração, sendo que qualquer ação cotidiana pode resultar em pontos.
No dia 18 de julho, às 23h30, esse fenômeno deixará as telas e se tornará real na Praça da Fatec PG, localizada na Praça 19 de Janeiro, número 144, no Boqueirão. Nesse local ocorrerá o primeiro campeonato de farmar aura da Baixada Santista, que contará com categorias como maior aura, entrada de protagonista e melhor “67.”
Durante o evento, quem estiver moggado é automaticamente eliminado.
Caso essa última afirmação pareça confusa, vamos explicar.
Dicionário resumido para novas gerações
A palavra “farmar” é derivada do inglês “farm”, que significa fazenda. No entanto, sua adaptação ao português surgiu diretamente dos jogos eletrônicos. Em títulos como Minecraft e League of Legends, “farmar” refere-se à repetição de tarefas para acumular recursos ou experiência.
A expressão “aura” é utilizada como sinônimo de carisma ou presença; é a energia que uma pessoa irradia sem precisar se manifestar verbalmente. Assim, o ato de farmar aura se traduz em aumentar a própria admiração diante dos outros, frequentemente sem que a pessoa perceba.
O termo “moggar” ou estar “moggado” refere-se àqueles que falharam em suas missões e perderam pontos de aura no momento inadequado — o famoso “passou vergonha”. Na brincadeira, sigma representa quem sai vitorioso; beta é quem fica para trás. Já “67” tornou-se um número enigmático usado por jovens sem explicação clara, semelhante aos códigos criados por cada geração.
A origem dessa brincadeira
A proposta humorística tem raízes mais profundas ligadas à chamada machosfera e ao crescimento dos redpills nas redes sociais.
Pais podem ficar tranquilos: quando seu filho gritar “farmei aura” ou “67”, não necessariamente estará repetindo discursos misóginos.
A Geração Z e a Geração Alfa lidam com grande parte do vocabulário online através da pós-ironia, esvaziando os significados originais das palavras pela repetição.
A história começou com o conceito redpill “clássico”, que promovia características como corpo musculoso e postura assertiva como sinônimos de valor pessoal. O GigaChad, uma figura-meme com essas características exageradas, tornou-se emblemático desse movimento. Com isso veio uma hierarquia inspirada em comportamentos animais: o alfa como líder dominante e o beta como rótulo pejorativo dos considerados fracos ou submissos.
Esses rótulos foram alvo de piadas, defendidos por alguns com seriedade e transformados em memes ao longo do tempo. Com isso, muitos perderam o entendimento original das expressões usadas atualmente. O alfa cheio de testosterona agora representa o farmador de aura; enquanto isso, o beta submisso se tornou o moggado que comete erros bobos na escola.
E o significado de “67”?
Toda palavra possui duas dimensões: o significante — sua forma sonora ou escrita — e o significado — a ideia que essa forma evoca. Com “67”, o significante permaneceu constante ao longo do tempo; já seu significado passou por diversas alterações até quase desaparecer.
A origem remete ao rapper Skrilla que mencionou a Sixty Seventh Street, uma rua na Filadélfia associada à violência entre gangues. Isso fez com que o número se tornasse sinônimo de algo mais sério. Em seguida, “67” também passou a ser associado à altura – 6 pés e 7 polegadas – cerca de 2 metros exatos da estatura do jogador LaMelo Ball.
A explosão dessa gíria começou com um gesto feito por uma criança durante um vlog esportivo em homenagem ao jogador. A partir disso, a internet começou a agregar camadas adicionais ao termo “67”, incluindo uma teoria controversa que relaciona esse número ao elemento químico hólmio (Ho), lido em inglês como uma referência depreciativa às mulheres. Essa conexão é difícil de confirmar mas ajuda a entender por que alguns pais ficam desconfiados quando escutam seus filhos usarem essa expressão.
Diante da popularidade crescente do meme, as camadas foram se dissipando. Atualmente, para aqueles que gritam “67” na Praça 19 de Janeiro, toda essa história perdeu relevância.
O significante sobreviveu à jornada; no entanto seu significado esvaziou-se pelo caminho — restando apenas som e gesto repetidos continuamente — semelhante ao que ocorreu com outros memes internacionais. Portanto, não há motivo para preocupação: gritar “67” não carrega mais nenhum significado específico.
Um grupo unindo pessoas na praça
O campeonato é fruto do Furdunço, um grupo idealizado por amigos e atualmente conta com cerca de 600 membros entre Santos, São Vicente, Praia Grande e Cubatão. A administração do grupo é compartilhada entre cinco pessoas: Isa, Ivy, Gui, Beca e Isabelle Silva Santos.
A iniciativa partiu de Gui — principal organizador do grupo — visando atrair novos participantes para socializar de maneira leve. A escolha pela Fatec PG foi realizada devido à sua localização centralizada para facilitar a chegada das quatro cidades da região.
A repercussão surpreendeu os organizadores.
“No início ficamos assustados com a repercussão gerada porque não esperávamos tanta atenção,” relata Isabelle.
As críticas recebidas foram transformadas em motivação em vez de desencorajamento.
Causas da desaprovação dos adultos
O psicólogo Bruno Farias escuta esse tipo de crítica há anos — mudando apenas os nomes das modas. Ele recorda seu pai fã dos Beatles sendo criticado por admiradores do jazz; depois vieram tendências como É o Tchan e as coreografias das Spice Girls; hoje é a vez do farmar aura receber críticas semelhantes. Cada geração enfrenta críticas feitas pelos mais velhos direcionadas a diferentes alvos culturais.
Segundo Farias, essa estranheza surge devido a um ressentimento silencioso: perder juventude gera uma sensação de pertencimento exclusivo aos jovens enquanto os mais velhos sentem-se deslocados. Esse desconforto costuma ser aliviado através da vaidade que facilmente encontra saída nas críticas às novas gerações sobre suas preferências culturais.
“Toda época terá seus movimentos sociais,” resume Farias referindo-se desde as brincadeiras infantis até as práticas atuais relacionadas ao farmar aura como episódios dentro desse ciclo contínuo.
Farias argumenta ainda sobre as razões pelas quais os jovens são alvo frequente dessas gozações: toda geração passou pelo mesmo processo na juventude e acabou ridicularizada pelos comportamentos típicos dela mesma na fase adulta.
Muitos adultos desejam ser reconhecidos como sábios antigos esquecendo-se que também foram jovens vivendo momentos ridículos como parte natural do crescimento pessoal.
A prática do farmar aura como resistência ao trabalho excessivo
Farias conecta essa tendência cultural à questão mais ampla das longas jornadas laborais comuns no capitalismo tardio atual — levando as pessoas a dispor pouco tempo livre além do necessário para recuperar energias após trabalhar.
A reunião entre amigos para praticar farmar aura representa um momento similar ao encontro em bar para conversas descontraídas e risadas compartilhadas!
“É experimentar o poder existente nos vínculos humanos,” esclarece ele.
Pesquisas sobre bem-estar indicam que vínculos significativos são fundamentais para felicidade ao longo da vida; amizades formadas na juventude tendem a persistir até a velhice..
Diante da crítica afirmando que os jovens deveriam ler livros ou realizar cursos técnicos em vez de brincar na praça Farias responde diretamente: é ótimo ver essa geração tendo tempo livre para participar dessas atividades consideradas fúteis!
Sob sua perspectiva viver unicamente focado nas obrigações produtivas prejudica bastante saúde mental! Momentos lúdicos sem propósitos práticos são tão necessários quanto estudar ou trabalhar!
Ele menciona sua própria rotina como exemplo: ocasionalmente vai até Quebra-Mar em Santos criar bolhas gigantes para seus filhos correrem atrás junto com outras crianças locais!
Dessa forma não obtém resultados práticos;
No entanto segundo Farias esse tipo simples gesto sustenta saúde mental muito mais efetivamente do que qualquer planilha voltada produtividade!
Praças movimentadas refletem cidades saudáveis
No entendimento dele existe um conceito denominadopsicogeografia, ramo estudando impactos ausência comunidade torna vida amarga cinzenta! Ele acredita maioria indivíduos desconhecer sequer nome vizinhos próximos devido falta disponibilidade energia após longo expediente! Essa energia escassa acaba destina maior parte vida digital repleta negatividade!
Lembrando sua infância Praia Grande quando praças serviam espaço congregação moradores interagirem ele nota atualmente esses locais estão praticamente abandonados dominados franquias onde consumidores apenas compram produtos interagem somente grupos pequenos antes irem embora sem construir laços sólidos entorno!
Pelo motivo vê campeonato farmar aura inserido algo maior envolvendo ocupação espaço público pelos jovens conectando-se consigo cidade habitantes nela! Ele próprio promoveria eventos semelhantes voltados literatura música xadrez sempre visando restaurar vivência comunitária! Para ele essas experiências contribuem diretamente saúde mental coletiva!
Nenhum perigo reside na diversão; ameaça está noutro lugar!
No entanto Farias descarta totalmente risco embutido encontro! Ele lembra nunca ter visto relatos violência entre praticantes dessa atividade mas sim igrejas hospitais delegacias lugares supostamente seguros sociedade!
Caso apareça alguém mal-intencionado durante campeonato farmar aura solução consiste identificar afastá-lo evento cancelamento reunião amigos resolve questão alguma!
Praticando farmar aura com responsabilidade
Diante grande aglomeração noturna recomendações específicas oferecidas pelo Furdunço devem ser seguidas por todos participantes:
- Mantenha uso celular restrito momentos essenciais verificando presença suspeitos proximidade;
- Filme sempre ambas mãos mantendo próximo amigo avisando grupo manter vigilância arredores;
- Nunca dirija-se banheiro sozinho prefira companhia mínima dois amigos;
- Recuse alimentos bebidas oferecidos desconhecidos;
- Mantenha bolsas mochilas fechadas junto corpo;
Simplificações evitam boa parte riscos reais eventos abarrotados espaços abertos!
Analisando reclamações sobre juventude desperdiçando tempo trivial vale lembrar quais foram bobagens preenchendo própria adolescência! Quem sabe Praça 19 Janeiro no dia 18 merece visita especial conferindo quem sairá laureado título sigma!
The post Farmadores Aura chegam Baixada Santista E isso saudável parece apareceu primeiro Juicy Santos.
