Com a data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproximando, muitos alunos aumentam a intensidade dos estudos, buscando aproveitar cada momento para revisar o material. Contudo, quando essa preparação vem acompanhada de cansaço extremo, irritação, dificuldades de foco e uma pressão constante, o esforço pode tornar-se contraproducente e prejudicar o aprendizado.
A coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, Luana Galleano Mello Sobrinho, enfatiza que é essencial manter um equilíbrio durante o período que antecede o Enem. A ansiedade pode ter um lado positivo: em níveis moderados, ela é capaz de motivar o estudante a se organizar melhor. O desafio surge quando essa tensão se intensifica e passa a afetar o sono, a memória e a capacidade de raciocínio, além de comprometer uma rotina saudável.
“É crucial fazer uma distinção entre dedicação e sobrecarga. Estudar por longas horas sem intervalos não significa necessariamente que se aprende mais. Se um aluno começa a reler várias vezes o mesmo conteúdo sem entender, esquece informações que já tinha domínio ou associa os estudos apenas ao medo e à culpa, isso indica que a rotina precisa ser ajustada”, observa.
A profissional esclarece que o cérebro requer períodos de descanso para assimilar informações adequadamente. Portanto, insistir nos estudos em meio ao cansaço extremo pode resultar em redução do desempenho, bloqueios durante as provas e aumento da autocrítica. “Uma preparação saudável envolve consistência, planejamento e autocuidado. É importante que os estudantes não esperem atingir seus limites para descansar. As pausas fazem parte integrante do processo de aprendizado”, ressalta.
Para auxiliar os alunos na identificação do momento certo para reformular sua rotina de estudos, a psicóloga lista alguns sinais que indicam que a abordagem atual está se tornando ineficaz:
1. Você lê sem absorver informações
Se a leitura se torna mecânica e é necessário voltar repetidamente ao mesmo trecho sem conseguir compreender o que foi lido, isso pode ser um indicativo de fadiga mental. Nesses casos, uma breve pausa geralmente é mais eficaz do que continuar estudando por mais tempo.
2. O corpo manifesta sinais de alerta
Dores frequentes na cabeça, tensão muscular, distúrbios no sono, cansaço persistente, variações no apetite e palpitações podem sinalizar que a pressão está ultrapassando um limite saudável.
3. A ansiedade se torna paralisante
Sintomas como nervosismo antes das provas são normais; no entanto, quando essa preocupação impede o estudante de iniciar atividades ou organizar prioridades com clareza, é necessário desacelerar e revisar os planos em etapas menores.
4. O descanso gera culpa
Caso qualquer pausa provoque sentimentos de fracasso, o estudante pode estar preso em um ciclo de autoexigência excessiva. Descansar não deve ser visto como perda de tempo: trata-se de uma estratégia vital para manter memória clara e equilíbrio emocional.
5. A rotina perdeu seu equilíbrio
Quando aspectos como sono, alimentação, lazer e interações sociais ficam completamente comprometidos por longos períodos, os estudos tendem a se tornar insustentáveis. A psicóloga recomenda que a rotina inclua blocos dedicados aos estudos com intervalos programados e momentos mínimos para autocuidado.
Dentre as práticas sugeridas estão: organizar os conteúdos por prioridade, alternar disciplinas mais desafiadoras com revisões mais leves, realizar pausas curtas após períodos focados e evitar estudar até altas horas da noite. Técnicas simples de respiração podem ser úteis em momentos críticos: inspirar lentamente, segurar o ar por alguns segundos e expirar devagar auxilia na diminuição da ativação física causada pela ansiedade.
Não hesite em buscar apoio
Luana Galleano Mello Sobrinho destaca que quando a ansiedade provoca sofrimento intenso ou crises recorrentes que afetam seriamente o sono ou as atividades cotidianas, é fundamental procurar ajuda profissional. “Os estudantes não precisam enfrentar tudo sozinhos. Conversar com familiares, professores ou especialistas em saúde mental pode ser essencial para reorganizar a rotina e criar estratégias mais saudáveis nesse período desafiador”, aconselha.
Por Luana Figueiredo
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