Transformações na Seleção de Centros de Distribuição do E-commerce com a Nova Reforma Tributária

A definição do local para a instalação de um centro de distribuição sempre levou em consideração fatores como tributação, proximidade ao consumidor e despesas com transporte. Com a implementação da reforma tributária, essa dinâmica está começando a mudar, o que pode levar as empresas de e-commerce a reavaliar decisões previamente tomadas com base em incentivos fiscais fornecidos pelos estados.

A mudança ocorrerá de forma gradual. O novo sistema foi iniciado em 2026, e a transição do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) acontecerá entre 2029 e 2032. A expectativa é que o novo modelo esteja completamente implementado até 2033.

Um exemplo relevante nesta discussão é Extrema, localizada no sul de Minas Gerais. Esta cidade, situada na divisa com São Paulo, aproximadamente 100 km da capital paulista, se destacou como um centro logístico devido à sua localização estratégica e aos incentivos fiscais oferecidos pelo estado mineiro. Dentre esses incentivos está o Tratamento Tributário Setorial para o comércio eletrônico (TTS), disponibilizado por meio de um regime especial. No entanto, com o avanço da reforma, a importância desse tipo de benefício pode sofrer alterações.

Segundo Lucas Garcia, responsável pelas áreas de vendas e crescimento da Cubbo — uma empresa que fornece infraestrutura operacional e tecnológica para o comércio contemporâneo — é essencial que as decisões considerem tanto os benefícios atuais quanto a viabilidade da operação nos anos vindouros.

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“A empresa deve avaliar por quanto tempo a condição permanecerá vantajosa e se a localização continuará sendo apropriada após a transição. Investir em um centro de distribuição requer planejamento cuidadoso, assim, a decisão não pode ser pautada apenas pela economia tributária imediata”, ressalta ele.

Confira cinco aspectos que devem ser considerados nessa análise:

1. Realize cálculos baseados na operação efetiva

Os efeitos de um incentivo fiscal variam conforme o produto, regime tributário, origem das mercadorias e destino dos pedidos. Portanto, uma simples comparação entre alíquotas pode não refletir o ganho real.

A simulação deve incorporar dados precisos da empresa, incluindo custos para acessar os benefícios fiscais, adaptar sistemas e implementar a nova operação. Por exemplo, em Minas Gerais, parte dos insumos e produtos pode ser proveniente de São Paulo ou outros estados, alterando assim os custos de transporte.

2. Avalie os impostos em relação aos custos logísticos

Uma economia fiscal pode se tornar irrelevante se a localização aumentar os gastos com transporte ou atrasar prazos de entrega. Fatores como distância até os consumidores, disponibilidade de transportadoras, custos com devoluções e abastecimento do centro de distribuição devem ser levados em conta na avaliação.

“Para muitas empresas, o impacto mais significativo não está no envio ao consumidor final, mas sim no abastecimento operacional. O que se economiza em tributos deve ser contrabalançado com o custo adicional necessário para transportar produtos e insumos até a nova localização. Além dos custos logísticos, empresas menores podem encontrar dificuldades adicionais para contratar mão-de-obra em regiões onde predominam grandes operações”, explica Lucas Garcia.

3. Calcule o tempo necessário para recuperar o investimento

A abertura ou transferência de um centro de distribuição implica mover estoques, ajustar sistemas e reconfigurar cadastros fiscais enquanto muitas vezes mantém duas estruturas durante a transição. Em regiões logísticas ativas, isso também pode aumentar os custos com contratação.

A empresa deve dividir o custo total da mudança pela economia líquida mensal após deduzir gastos adicionais com frete, contabilidade e equipe. O resultado indicará o prazo de retorno ou payback, expresso em meses. Um erro comum é considerar apenas os ganhos fiscais brutos. A mudança é válida quando o investimento se recupera dentro do período em que os benefícios ainda estão disponíveis.

4. Inclua a reforma nos cálculos

O ICMS não será eliminado instantaneamente; sua redução terá início em 2029 enquanto o IBS ganhará espaço progressivamente até a completa extinção do ICMS em 2033. Na prática, benefícios vinculados ao ICMS tendem a perder relevância ao longo dessa mudança.

Por exemplo, considere uma marca de roupas no regime do Lucro Presumido com faturamento mensal estimado em R$ 500 mil. Segundo uma simulação realizada pela Cubbo, uma operação em São Paulo teria cerca de R$ 47 mil mensais referentes ao ICMS líquido. Já nas cidades/estados que oferecem incentivos dentro das novas regras (como Minas Gerais), utilizando-se do TTS esse valor poderia cair para aproximadamente R$ 13 mil.

A diferença seria cerca de R$ 34 mil mensais; assim, uma empresa que realizasse essa mudança no começo de 2027 poderia acumular uma economia aproximada de R$ 2 milhões até o final de 2032. Esse cálculo é meramente ilustrativo e varia conforme produto, regime tributário e distribuição das vendas.

“A questão crucial é: quanto tempo ainda resta até 2032 para aproveitar esses benefícios? E essa economia justifica a mudança? Quem fizer essas contas agora poderá garantir diversos anos aproveitando as economias tributárias”, conclui Lucas Garcia.

5. Opte por uma localização sustentável após os incentivos

Embora os incentivos fiscais possam influenciar no momento da mudança, eles não devem ser o único fator considerado na escolha do local. Com a consolidação da tributação no destino das mercadorias, aspectos como proximidade ao consumidor final, infraestrutura rodoviária adequada, custo por pedido e potencial para expansão ganharão maior relevância na decisão do local do centro.
“Após essa transição tributária é natural que algumas marcas reconsiderem suas localizações. Contudo isso não invalida as mudanças realizadas agora desde que as economias obtidas cubram os investimentos feitos”, afirma Lucas Garcia.

A janela até 2032 ainda oferece oportunidades significativas para economias relevantes através dessa análise criteriosa. A decisão deve unir os benefícios fiscais atuais à escolha por uma posição logística competitiva mesmo após a diminuição desses incentivos.

Por Fernanda Meirelles

A publicação E-commerce: como a reforma tributária impacta na escolha por centros de distribuição foi vista primeiramente na Catraca Livre.

By Santos Diário

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