Museu de Pesca oferece tour online enquanto se prepara para revitalização

Com apenas um toque na tela do celular, é possível explorar as exposições do Museu de Pesca, contemplar o esqueleto de uma baleia-fin com 23 metros e observar uma lula-gigante em taxidermia. Essa experiência virtual está disponível em 3D, a qualquer hora do dia, direto do conforto da sua casa. Contudo, quem decide visitar a Ponta da Praia de forma presencial se depara com o imponente casarão fechado há quatro anos, sem previsão para reabertura.

Essa situação reflete a dualidade que o local representa. Embora o acervo tenha sido transformado em uma plataforma digital sofisticada, o edifício histórico, reconhecido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), aguarda um restauro que ainda não foi iniciado.

Funcionamento do “Mergulho Virtual”

A iniciativa denominada “Mergulho Virtual no Museu de Pesca – Experiência Metaverso” foi oficialmente lançada em 29 de julho. O projeto conta com tecnologia da Matterport, uma empresa americana especializada na digitalização tridimensional de ambientes, e recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No site oficial do museu, os usuários podem iniciar um tour com visão panorâmica 360º. É possível explorar tanto as áreas internas quanto externas, além de acessar vídeos, áudios e informações sobre os mais de 1.400 itens do acervo. Aqueles que nunca visitaram o casarão agora têm a oportunidade de conhecer virtualmente a Sala dos Tubarões ou a raia-manta empalhada que mede 4,40 metros. Quem já teve a chance de visitar o espaço pode relembrar suas experiências por meio dessa nova plataforma.

Para os visitantes que preferem vivenciar a experiência física, existe a promessa de instalação futura de um totem interativo com tela sensível ao toque em um local público ainda a ser definido.

História do casarão: um forte e uma baleia atravessando séculos

O edifício que abriga o museu foi originalmente construído como Forte Augusto em 1734, com a finalidade de proteger a Vila de Santos contra piratas e corsários. A estrutura estabelecia comunicação bélica com a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande até ser destruída durante a Revolta da Armada em 1894.

Após as ruínas serem removidas, a Marinha construiu um novo prédio em estilo eclético, inaugurado em 1908 para abrigar a Escola de Aprendizes-Marinheiros. Em 1931, o Estado assumiu o espaço e transformou-o na Escola Prática de Pesca.

A verdadeira transformação do local ocorreu entre 1941 e 1942 quando chegou ao casarão o esqueleto da baleia-fin encontrado em Peruíbe. Para acomodar os impressionantes 23 metros do animal marinho, houve necessidade de derrubar paredes internas. Desde então, essa atração se tornou símbolo do Museu de Pesca, evidenciando como memória e conhecimento podem evoluir ao longo do tempo diante das mudanças na cidade.

Cronologia do casarão: resistência ao longo dos anos

  • 1734: construção do Forte Augusto para defesa da Vila de Santos.
  • 1770: ampliação do forte com reforços na artilharia.
  • 1894: Forte Augusto é bombardeado durante a Revolta da Armada e quase totalmente destruído.
  • 1905 a 1908: construção do novo edifício pela Marinha para sediar a Escola de Aprendizes-Marinheiros.
  • 1931: edificação passa para o Estado e se torna Escola Prática de Pesca.
  • 1941 a 1942: chegada ao museu do esqueleto da baleia-fin.
  • 1987 a 1998: museu permanece fechado por onze anos para restauração.
  • 7 de abril de 1998: reabertura oficial e tombamento pelo CONDEPHAAT.
  • Setembro de 2013 a julho de 2014: reformas nas áreas acessíveis e melhorias elétricas e no telhado.
  • Março de 2020: fechamento temporário devido à pandemia.
  • 1º outubro 2021 : reabertura com recursos interativos e QR Codes .
  • início
    de
    2022 : fechamento emergencial por problemas estruturais no casarão .

  • março
    2026 : lançamento
    do edital
    para
    restauro
    da fachada
    e cobertura,
    com reabertura prevista para
    2027 .

  • junho
    2026 : edital revogado para ajustes técnicos , adiando início das obras .

  • 29 julho
    2026 : inauguração
    do tour virtual em
    3D .

    Enquanto isso,
    a baleia já está online enquanto aguarda reformas

    O descompasso entre as duas situações é evidente quando se observa os dados disponíveis.
    Uma iniciativa que promove imersão digital foi implementada rapidamente com suporte financeiro do CNPq,
    enquanto as obras físicas necessárias ao patrimônio tombado continuam paradas devido à revogação recente dos editais relacionados ao restauro.

    A última atualização desse processo aconteceu em junho de 2026 quando houve revogação do edital destinado à contratação das obras necessárias para restauro e adequação estrutural.

    A concorrência eletrônica estava voltada especificamente para recuperação externa da edificação,
    abrangendo fachada,
    telhado,
    portas,
    janelas
    e elementos arquitetônicos.

    A abertura das propostas estava programada para o dia 31 março/2026 , mas foi suspensa.

    Foto: Instituto de Pesca

    A Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (SAA), responsável pela gestão desse patrimônio,
    justificou sua decisão após receber contribuições e questionamentos realizados por empresas interessadas nas obras.

    Lembrando que o museu faz parte da estrutura do Instituto de Pesca,
    que integra também pesquisa sobre processamento pesqueiro,
    maricultura,
    e questões socioambientais referentes à pesca no litoral paulista.

    A partir deste ano,
    o local abriga também o Aptahub,
    um hub focado na inovação voltada ao agronegócio e à pesca.

    Dessa maneira,
    o Museu de Pesca desempenha atualmente funções científicas e econômicas além das suas atribuições turísticas e educativas.

    Pronunciamento estatal sobre as reformas

    A Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento confirmou que os trabalhos para recuperação estão em andamento.
    As intervenções internas nas instalações hidráulicas e elétricas foram concluídas,
    e o Projeto Básico já foi aprovado pelo Condephaat.

    A próxima etapa compreende o restauro exterior incluindo fachada,
    telhado,
    portas
    e janelas mantendo as características originais da construção tombada.
    O edital anterior precisou ser revisado para incluir ajustes técnicos relativos aos orçamentos sugeridos pelas empresas participantes.
    Neste momento está sendo finalizada revisão documental necessária para publicação futura desse novo edital sem data definida.

    A SAA enfatizou que essa revisão visa assegurar maior segurança jurídica ao processo licitatório evitando contestações futuras que possam atrasar as obras já iniciadas.

    Cerca R$
    1 ,
    milhão foram investidos até agora apenas nas etapas preparatórias.
    O custo total estimado para concluir todas as obras chega aos R$
    10 milhões ,
    quase dez vezes mais que o valor já gasto.
    O prazo previsto é que as obras sejam finalizadas dentro dos próximos quinze meses após assinatura contratual.

    No entanto ,
    esse contrato ainda não possui qualquer previsão concreta.

    Fotos:
    arquivo Juicy Santos (2017)

    A coleção composta por mais
    de mil itens continua sob monitoramento constante enquanto não há previsão para retorno às visitas presenciais dentro das dependências do casarão.

    Diante dos quatro anos fechados,
    quanto tempo mais será necessário esperar até que os visitantes possam trocar seus óculos VR por uma visita real?

By Santos Diário

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