Um dragão que emite fogo, luzes que se acendem dentro da própria criação e estruturas esculpidas manualmente. Tudo isso em uma superfície que pode ser manipulada com a ponta dos dedos.
Parece algo fora do comum? Essa ideia inovadora foi trazida à vida pela nail artist Priscila Silva Mannocci Jankosky, que recentemente alcançou um marco inédito: ela se tornou a primeira vencedora de um concurso de Nail Art realizado no primeiro congresso brasileiro voltado exclusivamente para profissionais do setor.
O prêmio foi concedido a uma obra inspirada em “Alice no País das Maravilhas”.
A peça é surpreendente, especialmente considerando que sua dimensão é de apenas alguns centímetros.
A arte em uma escala reduzida
Para muitos, ao observar unhas decoradas, o foco está na técnica, no acabamento e na estética. No entanto, Priscila tem uma visão diferente.
Ela revela que essa mudança de percepção ocorreu quando começou a questionar os padrões repetitivos que predominavam no mercado.
“Esse processo teve início quando percebi que, assim como na moda, no cabelo ou na maquiagem, as unhas também poderiam refletir a personalidade. Em certo ponto, comecei a me sentir insatisfeita com o trivial. Queria criar algo extraordinário, que tivesse identidade, conceito e emoção.”
Foi a partir dessa inquietação que ela passou a repensar sua abordagem profissional.
“Comecei a ver as unhas como pequenas telas. Passei a dedicar-me menos à decoração e mais à narrativa por trás das criações, buscando contar histórias e provocar emoções.”
Essa nova perspectiva reflete uma tendência crescente nas diversas formas de arte contemporânea. Criadores estão utilizando suportes variados para expressar suas ideias e sentimentos, e as unhas agora fazem parte desse diálogo.
Esse movimento também contribui para expandir a percepção sobre uma profissão muitas vezes limitada ao universo da beleza.
Um dragão na ponta dos dedos
A criação premiada foi inspirada no mundo fantástico de Lewis Carroll.
O Jaguadarte, personagem presente na obra original, serviu como base para a interpretação criativa de Priscila.
Entretanto, o processo criativo começou muito antes da execução da modelagem.
“Eu sigo muitas artistas internacionais e lembro claramente da primeira vez em que vi uma unha acender e apagar luzes. Fiquei fascinada. Meu pensamento imediato foi: como algo assim ainda não existe no Brasil? Eu precisava trazer isso para cá.”
A tecnologia despertou seu interesse; porém, ela não desejava usá-la apenas por seu efeito visual.
Primeiro veio a narrativa; depois vieram os recursos técnicos.
Ao criar sua obra baseada em Alice, Priscila se aprofundou em pesquisas sobre répteis, dragões e seres fantásticos. O desafio era adaptar formas complexas para um espaço tão pequeno sem perder o caráter pessoal da criação.
“Há uma parte muito intuitiva e sensível no processo criativo. Em determinado momento, aquele personagem deixou de ser apenas uma referência e passou a existir na minha imaginação como uma criatura própria.”
O resultado final combinou modelagem tridimensional com texturas esculturais e um mecanismo luminoso integrado à peça.
“Quando finalmente consegui acender o fogo, senti como se estivesse testemunhando o nascimento daquele personagem.”
A tecnologia como ferramenta narrativa
Quem pensa que efeitos especiais como luzes e magnetismo são utilizados meramente para chamar atenção talvez se surpreenda ao conhecer o trabalho dela.
Priscila elabora projetos que incluem sistemas luminosos acionados por magnetismo, experiências sensoriais únicas, estruturas tridimensionais e as Aquanails — técnica que utiliza líquidos encapsulados para criar movimento e profundidade nas unhas.
Apesar disso, ela enfatiza que o conceito deve sempre prevalecer sobre o uso da tecnologia.
“Para mim, inovação só faz sentido quando possui um propósito claro.”
Segundo Priscila, a questão central nunca é apenas como criar determinado efeito visual; trata-se do sentimento que ele deve evocar.
“Começo imaginando qual história quero contar, qual emoção desejo transmitir e qual experiência quero proporcionar. Somente depois escolho as técnicas que realmente vão contribuir para isso.”
Por esse motivo, na composição inspirada em Alice, o fogo era parte essencial da narrativa fantástica. Em outro projeto relacionado à Copa do Mundo, o intuito era evocar memórias afetivas ligadas ao sentimento coletivo nacional.
“Meu objetivo é fazer com que as pessoas olhem e sintam algo. Quer seja curiosidade ou encantamento; identificação ou nostalgia; ou até mesmo a sensação de estar adentrando outro universo por alguns instantes.”
Uma forma de arte ao alcance das mãos
Em uma cidade onde diferentes expressões criativas são valorizadas, histórias como a de Priscila ajudam a enriquecer o debate sobre o significado da arte. p >
A Baixada Santista abriga artistas , ilustradores , músicos , artesãos e criadores independentes que transformam suportes inusitados em experiências culturais ricas . Nesse contexto , a Nail Art encontra espaço para ser reconhecida não apenas como técnica de salão , mas também como manifestação artística legítima . span > p >
É aqui que reside grande parte da força desse trabalho . span > p >
Enquanto muitos veem simplesmente unhas decoradas , artistas como Priscila enxergam personagens , memórias , emoções e universos inteiros prontos para serem revelados . span > p >
Informações adicionais b > h3 >
Para acompanhar mais sobre o trabalho de Priscila Silva Mannocci Jankosky , visite seus canais oficiais nas redes sociais , onde ela compartilha os bastidores dos processos criativos , novas técnicas e projetos autorais relacionados à Nail Art . span > p >
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