Na praia, o ciclo do coco é breve. Ele chega inteiro, se transforma em água refrescante, é consumido em poucos goles e, em questão de minutos, restam apenas as cascas para alguém se encarregar.
Entretanto, em Praia Grande, essa etapa final está recebendo um novo destino. O município iniciou a coleta das cascas de coco verde com o objetivo de transformar esse resíduo habitual da orla em um recurso valioso para a própria cidade.
Foto Amauri Pinilha / Prefeitura de Praia Grande
O destino das cascas após o verão
Na prática, as cascas de coco verde ocupam muito espaço. Além disso, seu descarte no lixo convencional aumenta a quantidade total de resíduos que devem ser encaminhados para destinação final.
Quando observamos a situação no âmbito nacional, os números são impressionantes. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil produz aproximadamente 2 bilhões de cascas de coco verde anualmente, muitas das quais ainda são enviadas para aterros sanitários. É uma quantidade imensa!
Diante disso, é fundamental buscar alternativas para esse material e torná-las uma prioridade nas cidades. Afinal, quem comercializa água de coco enfrenta diariamente esse resíduo persistente que não desaparece junto com a bebida.
Nos últimos anos, várias cidades brasileiras têm explorado diferentes maneiras de reaproveitar esse resíduo. Uma das abordagens é a compostagem, que transforma matéria orgânica em um insumo que pode ser usado no solo.
A ideia básica é clara: o que antes seria descartado pode ganhar uma nova função.
E onde estão os coletores em Praia Grande?
Quem passeia pela orla de Praia Grande já nota uma inovação no caminho. Foram instalados 11 contentores verdes em dez locais ao longo do calçadão, entre Canto do Forte e Ocian.
Esses equipamentos possuem identificação específica e têm capacidade para mil litros cada um. De acordo com a Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb), a cidade poderá optar por modelos maiores se houver um aumento na quantidade coletada.
A seleção dos locais leva em conta uma cena familiar para frequentadores da praia: a venda de água de coco.
Com isso, tanto comerciantes quanto consumidores encontram um espaço adequado para descartar as cascas após o consumo.
Após a coleta, as cascas são encaminhadas à Central de Compostagem localizada no bairro Tupiry. Nesse local, elas passam pelo processo de trituração antes de serem compostadas.
A trituração diminui o tamanho do material e agiliza sua decomposição. Ao fim desse processo, os resíduos se transformam em adubo orgânico utilizado para recuperar e manter áreas verdes na cidade.
Portanto, o percurso do coco é curioso: ele sai da praia, passa pela compostagem e volta à cidade ajudando na preservação do verde.
Além do coco
A nova coleta se integra a uma estrutura já existente em Praia Grande que lida com outros tipos de resíduos.
Um exemplo disso é o projeto “Vidro Vira Vidro”, que disponibiliza contêineres em centros comerciais para descarte de embalagens de vidro.
Além disso, o município oferece gratuitamente sacolas biodegradáveis para coleta dos resíduos gerados por animais durante os passeios.
Os ecopontos espalhados pela cidade também recebem diversos materiais recicláveis. O sistema ainda recolhe tampinhas de latas cuja destinação beneficia o Fundo Social de Solidariedade.
Cada iniciativa contribui para resolver uma parte do problema. Juntas, elas ajudam a retirar do lixo materiais que ainda podem ter utilidade.
Essa mudança também depende da colaboração da população. A infraestrutura existe, mas é crucial realizar o descarte corretamente nos locais designados.
A casca faz parte da paisagem
Quem vive ou passa temporadas na Baixada conhece bem essa realidade: dias quentes repletos de praias lotadas e vendedores de coco trabalhando incessantemente.
Esse movimento é parte importante da economia local e rotina da orla; entretanto, resulta em uma quantidade significativa de resíduos deixados para trás.
Iniciativas voltadas ao reaproveitamento podem trazer benefícios além da limpeza imediata das praias. Elas incentivam uma reflexão sobre o destino dos materiais após serem considerados inúteis por quem os consumiu.
No caso das cascas de coco, agora esse trajeto inclui a compostagem. Para o consumidor, essa mudança parece simples: basta descartar as cascas no local apropriado.
Para a cidade, cada descarte feito corretamente contribui para manter esses materiais dentro do ciclo produtivo novamente.
Assim sendo, cada nova água de coco pode trazer consigo uma escolha consciente embutida na ação simples de descartar adequadamente suas cascas após o último gole.
Informações úteis
O programa destinado à coleta das cascas verdes acontece em dez pontos ao longo da orla em Praia Grande, entre os bairros Canto do Forte e Ocian.
Os contentores são verdes e possuem a identificação “Coletores de Coco Verde”.
Após serem coletadas, as cascas seguem até a Central de Compostagem no bairro Tupiry.
Para mais informações, entre em contato com a Prefeitura de Praia Grande pelos telefones (13) 3496-2010, 2186, 2216 ou 2195.
