Santos inicia levantamento inédito da população em situação de rua

Para entender o desafio enfrentado pelas pessoas que vivem nas ruas, é fundamental iniciar a análise a partir de um aspecto essencial: identificar quem são esses indivíduos.

Aqueles que circulam pelas ruas da cidade percebem que essa população se tornou parte integrante do nosso cotidiano. Contudo, será que realmente conhecemos suas histórias, suas origens e os fatores que os levaram a essa situação? A resposta é clara: temos muito a aprender.

Após um longo período sem iniciativas significativas e em um contexto marcado pelas consequências da pandemia, a Prefeitura de Santos revelou um projeto importante para mapear essa questão.

Em colaboração com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – Campus Baixada Santista, está sendo elaborado um novo Censo da População em Situação de Rua.

Por qual motivo esse levantamento se torna tão necessário?

O último censo oficial foi realizado em 2019 e parece ter sido há muito tempo. Naquele ano, o número totalizou 868 pessoas (761 nas ruas e 107 em abrigos). No entanto, é preciso reconhecer que o cenário atual é completamente diferente. A pandemia de Covid-19, que se seguiu, não apenas transformou as dinâmicas econômicas, mas também aumentou o número de pessoas em situação de vulnerabilidade extrema.

“A realidade das ruas de Santos em 2024 é bem distinta do cenário de 2019. Precisamos de informações atualizadas não apenas para preencher planilhas, mas sim para formular políticas públicas eficazes”, afirma Renata Bravo, responsável pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds).

É necessário mais do que apenas dados: é preciso empatia

Um aspecto notável dessa parceria com a Unifesp é a intenção de não tratar essas pessoas como meras estatísticas. A formação de um Grupo de Trabalho (GT) que combina o conhecimento acadêmico com a experiência prática das secretarias de saúde e assistência social, além da participação direta da população em situação de rua no processo, pode indicar uma nova abordagem.

O professor Diego Taboada da Silva, do curso de Ciências Sociais da Unifesp, informou que o cronograma já está sendo elaborado. O início das atividades está previsto para fevereiro de 2027. As etapas incluem mapeamento, pré-teste e aplicação dos questionários. O objetivo final é apresentar um relatório entre julho e agosto de 2027, um mês simbólico na luta pelos direitos dessa comunidade.

Conforme destacou Odair Aguiar Junior, diretor do Campus Baixada da Unifesp, o censo deve ser visto como uma oportunidade para sensibilizar a sociedade. Contar quantas pessoas estão na rua não é suficiente; é crucial compreender os “determinantes sociais” que falham em nossa rede de proteção e permitem que tantas pessoas continuem sem abrigo.

Os desafios da implementação

A luta contra a desigualdade social apresenta imensos desafios e requer inovação nas abordagens. Em Santos, o plano envolve unir esforços entre diversas secretarias para desenvolver soluções integradas: saúde, assistência social e habitação devem trabalhar juntas.

A terra da caridade e da liberdade, apesar de seu grande coração, também enfrenta preconceitos arraigados. O êxito desse Censo depende também da reação da sociedade civil diante dos resultados obtidos.

O Juicy Santos acompanhará atentamente esse processo e exigirá ações mais humanizadas e dignas por parte da administração municipal no tratamento dessas pessoas.

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By Santos Diário

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